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“Tempos Modernos ” engana o Telespectador !


Depois de um começo desastroso em termos de audiência, o autor de Tempos Modernos começou a realizar pequenas alterações que o telespectador menos atento não deve ter notado, mas que é fundamental para recuperar a audiência, ganhar fôlego e, o mais importante, não diminuir a impressionante qualidade do roteiro da trama.

O grande diferencial da nova novela das 7 se dava justamente pelo que o título remete, a modernidade. O texto ágil, as histórias curtas e muito bem desenvolvidas e, as sátiras interessantes, com humor ácido e citações clássicas, dão um ar diferente a novela e mostra ser possível criar uma trama nesse formato e com muita qualidade.

Porém, o público rejeitou e, segundo constatação da própria Rede Globo, a rejeição não se deve ao texto, não se deve as citações, enfim, não se deve nem um pouco a modernidade e ao ritmo impostos por Bosco Brasil, o autor. A rejeição ocorreu justamente no formato que era o que menos se esperava sofrer rejeição. Tempos Modernos começou sem lembrar, nem de longe, um folhetim. Como eu já havia dito em outro texto, a trama se aproximava muito mais de séries do que de novelas, simplesmente pelo fato de que as histórias começavam e terminavam num mesmo capítulo, sem grandes aberturas, o que também era um charme.

Aparentemente o público não gostou disso, também, pudera, são anos e anos acompanhando histórias de amor, vingança, morte, inveja, sentimentos humanos e profundos, mas seguindo certa linearidade. É difícil mudar, isso é fato e faz parte do próprio ser humano. O telespectador mostrou mais uma vez que prefere o formato mais tradicional, mesmo que com um texto diferente, rebuscado e muito inteligente, beirando o clássico, o formato deve ser respeitado.

Então, de forma leve, sem grandes alterações, Bosco Brasil decidiu fazer a vontade do telespectador, mas nem tanto assim. O formato de folhetim foi aos poucos sendo inserido na trama, como a história de Dita e Ramon, que é continuada e lembra os romances tradicionais de novela, porém com o dedo clássico que o autor criou e manteve, com referência à música, a romances da literatura. A história central também encorpou e se aproximou do folhetim. Leal e Hélia, uma história de amor que nem o tempo foi capaz de vencer, mas que sofreram e sofrerão durante toda a trama, mas lá está o classicismo, as citações, as frases profundas, as metáforas, o que torna a novela profunda.

Dessa forma Bosco Brasil “engana” o telespectador, pois o público se reaproxima de Tempos Modernos (a audiência sofreu ligeiro aumento na última semana) querendo conhecer as histórias de amor e vingança (como a história de Oto Niemmam) e, sem perceber, continua assistindo a uma trama moderna, cheia de elementos que em nada parece uma novela, com qualidade, com rebuscamento, mas ao mesmo tempo, um folhetim tradicional.

A saída encontrada pelo autor foi brilhante porque conseguiu fazer o que o público gosta de ver sem perder um centímetro da qualidade de Tempos Modernos e isso é um presente e tanto aos que preferem inovação e apostaram e acreditaram na trama das 7.

Blog : TV X TV
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